Blog | Lucas Souza

Paulista, desenvolvedor web, nômade digital, apaixonado por futebol, assessor da Priscila Stuani. Idealizador da série “Na cara do gol com Lucas Souza” — projeto que saiu do papel com a missão de criar uma série de entrevistas com grandes craques de diversas áreas — cujo objetivo é disseminar conhecimento de uma maneira descontraída, por meio de analogias com o mundo futebolístico.

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3 lições de Daniel Alves que mostram que futebol não é “só um jogo”

Separei três lições de Daniel Alves que se encaixam perfeitamente na minha carreira como freelancer — e que talvez te ajudem a ser um profissional melhor.

Lucas SouzaLucas Souza

Vocês já devem ter percebido que adoro futebol. Assim como milhões de pequenos brasileiros, meu sonho sempre foi ser um grande jogador. Mas, a realidade é que a sorte brilha para poucos no esporte mais praticado do mundo.

No meu caso, o tempo foi passando, as oportunidades futebolísticas não apareceram, e tomei o rumo tradicional de fazer uma faculdade e procurar um emprego.

Este ano, porém, “ousei”, como dizem os boleiros, e larguei meu emprego para me tornar freelancer.

Embora minha carreira no futebol não tenha engrenado — ou melhor, não tenha nem começado —, a paixão continua a mesma. Sigo acompanhando as principais ligas, os principais jogos e os principais atletas.

E, pra você que diz que é “só um jogo” ou então que “não entende a moral de 22 caras correndo atrás de uma bola”, te adianto: não é só um jogo. Agora que não sou mais um dos milhões de pequenos brasileiros que sonham jogar com a amarelinha, consigo ver isso com clareza. Podemos aprender — e muito — com o futebol.

Talvez você tenha lido o emocionante texto do Daniel Alves escrito pouco antes da final da última Champions League. O baiano de Juazeiro é um daqueles entre milhões de meninos brasileiros sortudos que ganhou o mundo através do futebol.

“Sortudos”.

Creditada à Thomas Jefferson, apesar de que alguns digam que o autor seja Coleman Cox, a frase “eu acredito demais na sorte e tenho constatado que, quanto mais duro eu trabalho, mais sorte eu tenho” explica o sucesso daquele baiano de Juazeiro.

Assim como Jefferson (ou Cox), tenho constatado o mesmo na minha curta carreira como freelancer. Percebi, também, que essa vivência em muito tem a ver com o comovente relato do lateral-direito do PSG e da seleção brasileira — dadas suas devidas proporções, logicamente.

— Como assim, Lucas?

Bom, separei três lições daquele texto do Daniel Alves que se encaixam perfeitamente na minha carreira como freelancer — e que talvez te ajudem a ser um profissional melhor.

1 – Trabalhe duro — pra caramba!

“Meu irmão e eu provavelmente somos muito novos para manipular, mas ainda assim nós ajudamos. Esta é a nossa forma de comer… de sobreviver. Por horas, eu fico competindo com meu irmão para ver quem é o trabalhador mais dedicado. Porque aquele que mais ajudar a nosso pai vai ter mais direito ao uso da nossa única bicicleta.

Se eu não ganhar a bicicleta, eu terei de caminhar 20 quilômetros da nossa fazenda até a escola. A volta da escola é ainda pior, porque eu tinha de voltar correndo para conseguir chegar a tempo de jogar a pelada.

Mas e se eu ganhar a bicicleta? Então eu posso ficar com as meninas. Eu posso escolher uma delas no caminho e oferecer uma carona até a escola. Por 20 quilômetros, eu sou o cara.

Então eu trabalho duro para caramba”.

Sabe aquele negócio de “sorte”? Então…

Esses dias recebi uma mensagem de um leitor elogiando meu trabalho. Entre outras coisas, falou que eu tinha sorte de, tão novo, ter clientes de gabarito como Matheus de Souza e Priscila Stuani.

Sim! Cada madrugada que virei programando me deu ainda mais sorte! É assim que ganho minhas bicicletas…

2 – Estude minuciosamente o trabalho dos seus concorrentes

Dani Alves Vs CR7

“Antes de eu enfrentar os melhores atacantes do mundo – Messi, Neymar, Cristiano Ronaldo – eu estudo as suas forças e as suas fraquezas como uma obsessão, e então eu planejo como vou atacar. Meu objetivo é mostrar ao mundo que Dani Alves está no mesmo nível. Talvez eles me driblem uma ou duas vezes. Certo, tudo bem. Mas eu irei para cima deles, também. Eu não quero ser invisível. Eu quero o palco. Mesmo aos 34 anos, depois de 34 troféus, eu sinto que tenho de provar isso todas as vezes”.

O freelancer é o camisa 10, capitão e treinador do seu negócio. Isso significa ser obrigado a conhecer todas as variáveis do seu mercado. E isso quer dizer ir muito além da famosa “análise S.W.O.T.”. Ela até pode ser um ponto de partida, mas, como um profissional autônomo, você deve monitorar diariamente o que acontece no seu segmento. Ou seja, o que os seus concorrentes — diretos e indiretos — fazem que os tornam tão bons.

Estude as referências, estude os movimentos dos Messis e Cristianos Ronaldos da sua área. Como esses caras ganham dinheiro? Que serviços eles oferecem? Quais as estratégias de comercialização?

E, se sua carreira já estiver consolidada, não acomode-se: lembre do Daniel Alves aos 34 anos e brigando por mais um título.

3 – Seja você mesmo — e drible seus medos

“Quando começa a nova temporada, nosso diretor passa a instrução a todos: ‘Aqui no Sevilha nossa defesa não ultrapassa a linha do meio campo. Nunca’.

Eu jogo alguns jogos, chuto a bola por aí, olhando sempre para aquela linha. Somente olhando para ela, como um cachorro que está com medo de ultrapassar alguma linha invisível no quintal. Então, num jogo, por alguma razão, eu apenas me solto. Eu tenho que ser eu mesmo.

Eu digo, ‘Agora’.

Eu simplesmente vou. Ataque, ataque, ataque.

Funciona como se fosse mágica. Depois disso, o técnico diz: ‘OK, Dani. Nova estratégia. No Sevilha, você ataca’.

Em poucos anos, nós vamos de um clube que ficava na zona do rebaixamento para levantar a taça da Copa da UEFA duas vezes”.

Num artigo recente contei como driblei minha timidez. Isso foi algo fundamental para que eu conseguisse me estabelecer como freelancer. Afinal, como camisa 10, capitão e treinador do meu negócio, preciso me comunicar bem, né?

O que ocorreu é que ouvi do meu antigo chefe que eu precisava “ser mais comunicativo”. E, não me entenda mal: saí da empresa numa boa. Ele disse isso justamente porque gostava de mim. Foi uma crítica construtiva.

O que eu fiz? Bom, quando deixei aquele emprego para trás, prometi a mim mesmo que seria mais comunicativo. Mais que prometer, eu tomei uma atitude! Passei a utilizar mais a palavra “sim”. Ataque, ataque, ataque. Isso me abriu um mundo de possibilidades e consegui, de uma vez por todas, superar o meu principal medo: a timidez.

Às vezes somos rotulados disso ou daquilo, as culturas organizacionais nos dizem alguns “nuncas”, sentimos medo. Meu amigo e minha amiga, nessa hora você deve seguir sua intuição. Seja você mesmo. Ataque, ataque, ataque. Levante a taça.

Bônus: O que você enxerga quando se olha no espelho?

Quando criança, meu sonho era ser jogador de futebol.

Já adulto, sonhava com o dia em que conseguiria trabalhar por conta própria.

Parecia algo distante. Como que eu, um jovem rapaz, tímido, sem contatos importantes, conseguiria isso?

“Mano, eu vim da Pqp.

E estou aqui agora.

É irreal, mas eu estou aqui”.

Esse é o reflexo que vejo no espelho todas as noites antes de dormir.

É o mesmo reflexo do Daniel Alves. Alguém que trabalhou duro, lutou contra as probabilidades, atacou o medo e venceu. De alguma forma, dentro do seu contexto, venceu.

E é isso que me motiva a continuar.

Não é só um jogo.

Paulista, desenvolvedor web, nômade digital, apaixonado por futebol, assessor da Priscila Stuani. Idealizador da série “Na cara do gol com Lucas Souza” — projeto que saiu do papel com a missão de criar uma série de entrevistas com grandes craques de diversas áreas — cujo objetivo é disseminar conhecimento de uma maneira descontraída, por meio de analogias com o mundo futebolístico.

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