Blog | Lucas Souza

Paulista, desenvolvedor web, nômade digital, apaixonado por futebol, assessor da Priscila Stuani. Idealizador da série “Na cara do gol com Lucas Souza” — projeto que saiu do papel com a missão de criar uma série de entrevistas com grandes craques de diversas áreas — cujo objetivo é disseminar conhecimento de uma maneira descontraída, por meio de analogias com o mundo futebolístico.

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Freelancers: liberdade, flexibilidade — e profissionalização

A vida de freelancer é dura? Ou é moleza? Só posso garantir: ela é perfeitamente possível!

Lucas SouzaLucas Souza

Nestes tempos de “desemprego epidêmico”, estar trabalhando de freelancer às vezes parece só mais um jeitinho brasileiro de sobreviver à crise, pelo árduo caminho do subemprego.

Mas só parece. E só às vezes.

Pare e repare. E, principalmente, leia o que andam escrevendo por aí sobre o assunto. Você vai ver que a maior parte dos profissionais que hoje trabalham de freelancers está na verdade buscando coisas mais valiosas, como liberdade e flexibilidade. Isso mesmo: mais liberdade para exercerem suas atividades favoritas; e flexibilidade de horário, que se traduz em mais tempo para dedicar à família e a seus hobbies. Trocando em miúdos: a grande chance de serem seus próprios patrões.

Não dá para negar que, por conta das turbulências econômicas, muitos profissionais foram buscar no trabalho freelancer uma espécie de alento — um alívio para o sufoco, enquanto a carteira assinada não vem. (Se é que, com a reforma trabalhista, ela virá de novo, para todos… Mas isso já seria assunto para um outro artigo).

Para começar, uma boa notícia: de uns tempos para cá, o freelancer passou a poder incorporar a seu way of life uma tendência contemporânea de trabalho. E que, se tudo se confirmar, há de trazer, a médio prazo, um bônus extra para os profissionais que optarem por serem freelas: o nomadismo digital.

Como você talvez já saiba, o nômade digital é o profissional que realiza suas tarefas em qualquer lugar — literalmente. Ele pode estar, por exemplo, desenvolvendo um software, em seu laptop, numa bela ilha caribenha ou num café parisiense… para um cliente japonês.

Mas sabia que a regra vale para empresários também?

Ao contrário do que se pensa, os nômades digitais não são necessariamente freelancers, microempreendores ou autônomos. Eles podem muito bem ter vínculos empregatícios ou contratuais com empresas e desenvolverem seu trabalho remotamente — e de diferentes cantos do país ou do planeta. Coisas da internet e das novas tecnologias.

Jogue no Google: já existe muita coisa escrita sobre esta nova forma de trabalhar, que vem conquistando profissionais de diferentes áreas e idades.

Eu mesmo pretendo escrever meu próximo artigo sobre o assunto. Mas este de hoje (alerta de spoiler…) é sobre os freelancers — sobre o que fazer para construir uma boa reputação, conquistar clientes, garantir seu futuro e estruturar suas finanças.

Deixando as reflexões filosóficas de lado (que, por sinal, também rendem muitos posts e artigos), é melhor começar pensando no mais importante: o lado prático, o chamado “pés-no-chão”.

E estas aqui me parecem as dicas mais importantes:

Em primeiro lugar, legalize-se:

Abra uma microempresa (MEI) ou uma empresa. A princípio, talvez não pareça nem um pouco interessante encarar a (pesada) carga tributária brasileira. Mas na verdade não é bem assim: fazer tudo “certinho”, dentro da legalidade, traz uma série de benefícios para o freelancer — sem falar que irá protegê-lo de problemas com pagamento e direitos autorais, entre outras questões.

Agende uma visita ao Sebrae. O órgão presta apoio, orienta, oferece cursos gratuitos e muito mais a micro e pequenos empreendedores. É possível ainda achar na internet fóruns e meetups de freelancers e pequenos empresários. Vale a pena conferir e ver o que seus pares (mesmo de outras áreas) já estão fazendo. Ou seja: corra atrás!

Construa uma reputação impecável:

Nada é mais importante para um freelancer do que isso: ter um bom nome e uma boa imagem no mercado. O freela é seu próprio branding. Portanto, cumprir prazos, fazer entregas de excelência, cultivar bons relacionamentos, pedir feedbacks — e refletir sobre cada um deles — são coisas fundamentais para quem quer se estabelecer e fazer sucesso.

Cuide deste bem muito precioso: sua carteira de clientes:

Mantenha um mailing impecável e atualizado (com a maior quantidade possível de dados) sobre seus clientes ou prospects. Mas sem invadir a privacidade de ninguém, é claro.

Por exemplo: anote na lista se eles têm filhos (quantidade, nomes, idades, etc.); se praticam esportes ou têm seus hobbies — enfim, toda uma série de dados importantes sobre a vida e a personalidade de cada cliente. Estabeleça uma relação que seja ao mesmo tempo de profissionalismo respeitoso mas também de parceria.

Com a reforma trabalhista, que em breve passará a vigorar, a tendência é que as empresas optem por freelancers fixos (é isso mesmo que você leu: existe essa modalidade). Só para dar um exemplo: um site de notícias pode recorrer sempre ao mesmo fotógrafo para suas coberturas esportivas. E assim por diante.

Networking

Frequente eventos de sua área, troque impressões, ideias, vá a meetups (na Play Store há vários aplicativos de meetups — baixe os de sua área e participe dos encontros). Saiba o que os outros players estão fazendo e avalie se o seu business precisa de alguma correção de rota. Enfim, acostume-se a ver e ser visto.

Em suma, trate de se manter atualizado:

Isto é outro ponto fundamental. Faça cursos, converse com seus pares, informe-se constantemente sobre sua área de atuação. Mais uma vez: você é seu próprio branding!

Sou novato(a), por onde começar?

Bom, vamos lá:

Há pouco tempo, conheci o Matheus de Souza, o terceiro brasileiro mais influente do LinkedIn. Recentemente, o cara lançou um curso totalmente online sobre “Marketing Pessoal e Produção de Conteúdo no LinkedIn”. Fui um dos primeiros alunos e posso dizer que suas dicas foram e estão sendo fundamentais na minha carreira como freelancer. Tenho utilizado o LinkedIn como a principal ferramenta para gerar novos negócios e até então meus resultados têm sido excelentes.

Além disso, o Matheus produz vários artigos sobre o tema (como esse aqui).

Aprenda a desenvolver uma rotina e uma boa disciplina:

Pode até parecer uma incoerência, já que boa parte dos profissionais optou por ser freelancer para ter mais liberdade. Mas rotina não é, necessariamente, o oposto de liberdade.

Quer um exemplo? Conheço um redator que gosta de acordar cedo e surfar. Ele surfa de domingo a domingo, das 6h às 11h — religiosamente. Depois, almoça, tira um cochilo e trabalha intensa e produtivamente das 14h às 23h. Menos aos sábados, domingos e segundas — dias em que ele se dedica exclusivamente à família e à leitura, insumo fundamental para o seu trabalho.

Organize-se — e muito:

Trata de manter uma planilha rigorosa (e atualizada) que inclua: as entradas e saídas de dinheiro; o cronograma de entregas; a localização das pastas de briefings e de versões de um projeto. Enfim, registre tudo. Nada deve sair do seu controle, nenhuma experiência pode ser perdida. Cada acerto, cada passo em falso e até cada pisada-de-bola… tudo serão lições, que logo se transformarão em expertise.

Acredite: não custa muito — e não dói. Mas, se você deixar de fazer isso, aí sim: pode doer. Lembre-se de que você é do time do “eu sozinho”, e ninguém (a não ser seu cliente) irá “lembrá-lo” de alguma que você esqueceu.

Aprenda precificar seu trabalho

Com uma boa reputação e uma experiência bem acumulada, acredite: você vai se tornar único — e o resultado do que você faz também. Faça as contas, calcule o valor da sua hora, as despesas que cada trabalho vão lhe acarretar, e as horas que você vai gastar com ele. Só aceite uma nova empreitada depois de avaliar todas essas variáveis — e concluir que ela vale a pena.

Poupe. Poupe. Poupe:

Poupar é um verbo que nunca vai ser demais você conjugar. Tenha sempre em mente que os tempos de vacas magras sempre vêm.

Adote o seguinte sistema: faça os cálculos, estipule um percentual de poupança e, toda vez que entrar um novo pagamento, separe imediatamente este montante — e coloque na aplicação que for mais interessante para o seu perfil de investidor. Os bancos geralmente prestam esse tipo de consultoria, “de graça” (você entendeu…). Basta falar por telefone com algum consultor ou ir procurar pessoalmente o seu gerente.

Acima de tudo: valorize-se!

Você deu um passo importante em sua vida: optou por independência, autonomia e por um estilo que o faz mais feliz. Mas, como eu não lhe prometi nenhum “mapa do tesouro” ou “fórmula de sucesso”, tenho uma notícia “não muito boa”: nada disso (nem ninguém) garante que tudo há de correr às mil maravilhas. Fazer o quê? A vida é assim, não é mesmo?

Mas a boa notícia é que, acreditando em você, valorizando a si mesmo — e valorizando cada novo degrau conquistado —, você vai estar preparado para responder à altura aos preconceitos que muita gente costuma ter contra os freelancers (“desorganizados”, “impontuais”, “preguiçosos”… para que repetir e dar eco a estas tolices?).

Procure não comprar brigas, nem ostentar o seu sucesso diante dos outros, como se você precisasse provar alguma coisa para alguém.

Pelo contrário: mantenha a calma e a coragem. Em poucas palavras, mantenha-se firme. Mostre que é possível ser feliz, livre, fazendo o que se gosta — sendo um excelente profissional e sendo bem-remunerado por isso.

Vamos nessa?

Paulista, desenvolvedor web, nômade digital, apaixonado por futebol, assessor da Priscila Stuani. Idealizador da série “Na cara do gol com Lucas Souza” — projeto que saiu do papel com a missão de criar uma série de entrevistas com grandes craques de diversas áreas — cujo objetivo é disseminar conhecimento de uma maneira descontraída, por meio de analogias com o mundo futebolístico.

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